O bullying não é um fenômeno novo, mas vem crescendo dia a dia. É tão antigo quanto a própria escola, porém, muitas vezes, ainda é banalizado e visto, especialmente pelos adultos, como uma brincadeira inofensiva. Mas tem mostrado que não é nada disso e que pode acarretar consequências desastrosas para os envolvidos.

Segundo Cléo Fante, bullying é um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas que ocorrem sem motivação evidente, adotado por um ou mais alunos contra os outro(s), causando dor, angustia e sofrimento.

MÚLTIPLOS ASPECTOS
As famílias têm um papel decisivo no desenvolvimento psiquico das crianças e dos adolescentes. É na família que acontecem as primeiras experiências sociais e são vivenciados valores que influenciarão as futuras relações estabelecidas por estes indivíduos. As crianças passam a reproduzir o modelo educativo familiar com o qual foram criadas. Percebemos que, muitas vezes, o aluno que agride é vitíma de um contexto familiar agressivo, tendo a violência como modelo e referência de relacionamento.
Na maioria das vezes, a situações de bullying trazem como protagonistas crianças e adolescentes do sexo masculino, o que nos remete a uma questão de gênero, tão marcada em nossa história e cultura em que os meninos são definidos como o sexo forte e na qual afirmar a própria virilidade implica o exercício de algum tipo de poder. Esse poder se expressa, muitas vezes, através da força física, da agressão e das conquistas heterossexuais.
Geralmente, os valores passam a ser ditados pelos programas de televisão ou jogos de vídeo-game. Considerando que grande parte deles se pauta na competitividade, no individualism, na violência, na lei do mais forte e do levar vantagem em tudo, pode-se perguntar: quais as oportunidades que a criança tem de internalizar valores como amizade, tolerância, solidariedade, respeito e cooperação?
A competitividade constitui-se numa forte marca da nossa sociedade. Esta prática também é inerente ao contexto escolar e pode, muitas vezes, ser observada na prática pedagógica, no sistema de avaliação e na forma de utilização de seus resultados.
A tentativa de democratizar as relações te desencadeado, nos adultos, uma crise de autoridade, gerando insegurança e busca de limites nos individuos mais jovens. A autoridade exercida com tirania e extrema rigidez ou a ausência de autoridade podem ter consequências semelhantyes, especialmente quando se trata do comportamento bullying. A autoridade exercida e instituída pela competência, produzida na relação do professor com seus alunos e vínculada à admiração que estes sentem por ele, é fundamental na instituição de uma relação saudável e promotora de desenvolvimento e aprendizagem.

Sigrid Izar Becker(especialista em Psicopedagogia Institucional e Clinica e Gestão Educacional. Coordenadora Pedagógica Geral da Secretaria Municipal de Educação de Igrejinha, RS. in: Jornal Mundo Jovem, abril de 2010).

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